Pain of Salvation - Live at Paradiso

Após quase um mês sem atualizações, finalmente mais um texto para a apreciação de todos vocês!
Bem, como todos sabem, devido a minha privilegiada estadia na Polacoland, terra da maconha e dos homossexuais, pude conferir ao vivo (e tudo que é ao vivo sempre será!) o show da banda de metal progressivo sueca e também homossexual, Pain Of Salvation. Amado pela metade do canal (eu, Pippin, Uzuki, Yokis e FEannor) e odiado por mais um bocadinho (Reddy, Spider, e mais alguns doods), o Pain Of Salvation está em turnê para a divulgação de seu mais recente e controverso album, o Scarsick. Como sou um fanbo... entusiasta da banda, nao poderia deixar de marcar presenca em sua passagem em Amsterdã. E em retribuição pelo fatídico cancelamento em Curitiba em 2005, dessa vez eles estariam gravando o show, para um DVD ao vivo. Ou seja, finalmente esses dois anos de frustração e resmungos no canal serão recompensados.
Era sexta-feira, dia 2 de março. O dia já comecava brilhante e dourado e até mesmo acordar para pedalar 14 quilometros não foi uma dificuldade diante do entusiasmo de ir ao show. Meu dia ainda foi melhorado pelo fato de que na escola eu não teria as últimas 4 aulas e que todas as aulas durariam apenas 40 minutos. Passei rapidamente minha manhã entra aulas em holandês e excitantes partidas de Copas nas horas vagas e retornei a fortaleza dos corvos. Me arrumei bonitinho com camiseta da banda, ingresso compradinho antecipadamente e a passagem de trem e me dirigi para a metrópole de Amsterdã.
A viagem durou apenas 2 horas e tive que trocar de trem apenas uma vez. Cheguei na cidade pelas 3 da tarde. Verifiquei meu ingresso novamente e me certifiquei que o show realmente só comecava às 19 horas e as portas se abriam às 18. Caminhei pelos centros da cidade observando algumas construções antigas e tudo mais. Munido de meu mapa de turistas e meu holandês básico, me dirigi corajosamente ao Paradiso, uma antiga igreja que agora abriga shows de rock e metal de bandas que ainda não tem cacife de tocar no Arena ou no Heiniken Hall. Cheguei ao local em torno das 17 horas, e uma pequena turba já se amontoava diante dos portais que me levariam a uma noite muito feliz. Encontrei um pessoal do forum do Remedy Lane, e ficamos conversando até que finalmente os portais mágicos se abriram. Rapidamente tratei de colocar minha jaqueta num cabide por 1 euro e ir comprar uma daquelas blusas com o logotipo do Be em vermelho que o PippinTook tanto queria. Situando-se mais a frente do salão ao centro, aguardamos até que a banda de abertura, Project Aurora, aparecesse. Devo ainda lembrar que havia uma pequena esperança entre o pessoal de que o antigo baixista, Kristoffer Gildenlow aparecesse para tocar as músicas do album antigo, fato que já adianto, não ocorreu. Nesse momento o review realmente irá comecar, porque até agora apenas descrevi meu dia ao melhor estilo "Querido Diário..."
Com a pontualidade holandesa confirmada, os membros do Aurora Project entraram no palco e iniciaram sua performance. A banda não era ruim, e posteriormente irei dar todo meu apoio baixando seu material ilegalmente. Porem, é fato que todos estavam SEDENTOS por Pain Of Salvation, então ninguém realmente ligou para a banda, com exceção de uma groupie de 30 anos ao meu lado que acompanhava as músicas alegremente de olhinhos fechados de uma forma hilária. Posteriormente descobri que uns caras ignoraram a banda e se esquivaram para os camarins, conseguindo conhecer a banda e tirar fotinhas miguxas, o que me deixou profundamente irritado. Ao fim do show mais minutos de agonia. Com alguns minutos para o show comecar, uma mulher sobe e nos lembra ao microfone que o show seria gravado em DVD e por isso teríamos que fazer bastante barulho. Isso apenas contribuiu para o entusiasmo meu e do público que já estava tendo chiliques. Por fim, após um clímax tenso, um a um os membros do PoS adentrou a plataforma que dividia suecos esquisitos e fanboys mais esquisitos ainda. Daniel Gildenlow, o dono da banda e futuro imperador da Suécia, saudou a todos, relembrou sua última vez na Holanda, quando estava com os dedos quebrados e de quebra (hahaha) ainda apresentou o baixista de turne, Simon Anderson (ou apenas Mr. Anderson, como frisou o sempre-engraçado Daniel). Após todo o papo-furado, o show realmente começa com Scarsick, a primeira música do album homonimo. Devo confessar que não gosto muito dessa música, mas admito que ela ficou bem bacaninha ao vivo. Os vocais do Daniel estavam muito bons e a música soava exatamente como a versao em estudio, tanto que ao fim dela eu ja estava esperando a péssima Spitfall vir emendada. Felizmente o que veio logo em seguida foi America, a primeira canção que eu ouvi do album. Durante a pequena pausa no meio da musica, o publico se embolou todo na hora de falar, então o Daniel apenas aguardou alguns segundos e soltou o "We will be back, after this short brake". Após essa música, Daniel voltou a conversar com o público e anunciou que iria voltar ao tempo, lembrando um pouco...Entropia, o primeiro album da banda. Começa entao a Nighmist, e em minha opinião, o ponto mais fraco de todo o show. Apos Nightmist ainda veio a !Foreword. Ambas as músicas sao bacaninhas, mas comparadas com o resto do show, ficaram bem aquém. Após as músicas, D.G conversa sobre mudanças e blablablabla e emenda com a Handfull of Nothing do album One Hour By the Concrete Lake, uma música que ficou muito legal ao vivo, e ganhou ainda mais o meu respeito depois dessa performance. Logo após, veio a New Year's Eve, uma música que eu também não gosto tanto assim, apesar de ter os seus momentos.
Após esse início, somos informados que as fitas das cameras (ou discos, sei la) serão trocadas, entao teremos que ser "entretidos" por alguns minutos. Eh hora para um short brake, onde os já suados suecos tentam dar uma descansadinha (ui) enquanto fazem piadinhas. Depois disso, o show realmente comeca a pegar fogo, com Ashes (hahaha...ok, ok) do The Perfect Element Part I. Logo emendando veio a Undertow, numa versão um pouco mais diferente e numa performance simplesmente FENOMENAL por parte da banda, resultando num dos pontos altos do show. Apos esse clima mais, digamos, romântico, vieram o medley This Heart of Mine/Song for the Innocent/Her Voices que nos já conhecemos do album acústico, 12:5. Finalmente alcancando o album Remedy Lane, temos a Chainsling, com os vocais excelentes do guitarrista Johan Hallgreen, outro grande destaque do show. A essa altura, a platéia não parava mais de pedir Disco Queen, o novo hit purpurina e para a surpresa de todo, tivemos Diffidentia, a única música do Be a ser tocada. Logo após, veio ainda pesada Flame to the Moth, com os rasgados surpreendentes do Danny G. Finalmente, a esperada balada dos tempos da brilhantina entra em cena e sob luzes coloridas somos brindados com a rainha do disco.
Nesse momento, a banda toda sai do palco, como se o show tivesse acabado e as luzes se apagam. Obviamente que o público nao engoliu tal lorota encenada e nao parou de gritar PoS PoS PoS ou entoar os gritinhos histericos da Disco Queen. Apos um momento dramático, toda a banda retorna para o fraco cover Hallellujah e a excelente Cribcaged. Nesse momento, o Daniel ameaca abandonar o palco novamente. A platéia, obviamente contrariada, o impede e é anunciada então uma musiquinha mais calma para o povo poder apreciar a noite de Amsterdã, veio a baladinha.... Used, com sua intro levinha, fechando o show com chave de ouro, com grandes atuações dos ainda nao citados Johan Langell na bateria e o Fredrik Hermansson nos teclados. E para aqueles que ainda tinham dúvidas, o novo baixista segurou bem tudo e conseguiu entrar no clima da banda.
Por fim, há a controvérsia quanto ao set-list que como alguns membros carinhosamente citaram, "é uma merda". De fato, existem muitas musicas que podiam ser trocadas. Mas devemos levar em conta que o novo baixista nao é o Kristoffer e que talvez ele não saiba tocar músicas simples como Beyond the Pale. E para aqueles que reclamam que não têm músicas do Be, um grande MEH pra eles, já que existe um show INTEIRO pro Be.
Ao fim do show, atarvessei o mar de holandeses para conseguir pegar minha jaqueta de volta e correr para pegar o último trem que me levaria a minha aldeia.
Extras? Claro, dois videozinhos espertos que uma holandesa gravou, em qualidade youtubeana duvidável, é claro:
New Year's Eve
Disco Queen
E para aqueles que nunca ouviram falar da banda, o link para o forum oficial