sexta-feira, 18 de maio de 2007

WHAT IS THE CATCH?



"There was only one catch...and that was Catch-22." Com essa palavras na introdução, somos apresentados a esse hilário livro escrito por Joseph Heller em 1961, batizado no Brasil como Ardil-22.

A história se passa na ilha fictícia de Pianosa, onde está um esquadrão de bombardeiros B-25 do Exército dos Estados Unidos, no qual pertence o protagonista do livro, o capitão John Yossarian. Diferente de tantos heróis de guerra, Yossarian tem apenas um objetivo durante a suas missões: permanecer vivo. Segundo a sua lógica, "existem pessoas que estão determinadas a assassiná-lo", não apenas os alemães, mas qualquer um que ameace a sua vida, inclusive os burocratas americanos que insistem em aumentar seu numero de missões. Cada capítulo descreve um personagem que vive ao redor de Yossarian, como o infeliz Major Major Major Major ou o atormentado capelão Tappman (nas primeiras edições do livro, ele era chamado Robert Oliver Shipman). Ao seguir durante o livro a linha do tempo vai se tornando confusa, misturando fatos do passado com os do presente.

A história segue uma lógica circular, onde diversos eventos são repetidos várias vezes, assim como os dialogos, resultando em um universo absurdo ou até mesmo nonsense. Outra importante característica do romance é o constante uso de paradoxos, como por exemplo o título do livro. Ardil-22 trata-se de uma regra militar que impede que os pilotos deixem de combater, para isso usando-se de uma lógica que se, um soldado em estado normal se recusaria a voar mais alguma missão, mas para deixar de voar uma missão é necessário realizar uma requisição, e se o soldado fizer uma requisição, ele será considerado normal e mandado de volta em combate. Mas os temas abordados no livro ainda vão ainda sobre o conflito do indivíduo contra a sociedade, religião, patriotismo, poder da burocracia, sanidade...

O grande charme do livro é o seu próprio protagonista, Yossarian, com atitudes subversivas, paranóicas conflituosas, levando todos a o considerar como louco. Além disso a própria narrativa de Heller é uma experiência hilária e fascinante, com diálogos extremamente inteligentes e afiados. Os temas tratados no livro continuam extremamente atuais, tornando a obra ainda mais relevante, sendo um verdadeiro grito anti-guerra. Para se ter uma idéia, o livro está incluso na lista dos 100 maiores romances da língua inglesa do seculo XX formulada pela revista Time, que inclui entre outras obras O Senhor dos Anéis e Watchmen.


Alan Arkin como o maluco Yossarian

E sim, o livro recebeu também uma adaptação cinematográfica dirigida por Mike Nichols em 1970 estrelando medalhões como Alan Arkin e Jon Voight. E não, eu não assisti ao filme então não posso opinar se ele é bom ou fiel a obra original. Existe tambem uma continuação publicada em 1994 chamada Closing Time que se passa 40 anos depois do original e que eu também não li :(

Ah sim, uma curiosidade inutilzinha, no seriado hypadoqueeununcavimasdeveserumamerda, Lost os personagens encontram um exemplar de Ardil-22 em português. Eu falei que era uma curiosidade inutilzinha.

Enfim, após mais de 40, Yossarian vive.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Orkut, o fenômeno







Tudo começou como uma rede social que permitia a entrada de seus usuários apenas através de convites de outros usuários, oferecendo ainda uma interface onde seus usuários poderiam criar comunidades sobre seus próprios interesses e uma interação entre pessoas de diversas culturas. Acabou se tornando um circo brasileiro ou até mesmo um Second Live em português, só que mais lento e com gráficos mais toscos.

Sim, você sabe do que eu estou falando. Sim, você tem uma conta, assim como eu, minha mãe e o Miguel Falabella. Não adianta. Podemos odiar, podemos achar uma merda, podemos dizer que todo mundo que esta lá é idiota. Mas mesmo assim, temos uma conta lá. Assim como 99,9999% da classe média brasileira. Ora, por que diabos o Orkut fez tanto sucesso no Brasil, mesmo com seus inúmeros problemas, bugs e porcariadas? E por que faz mais sucesso no Brasil do que em qualquer outro país do mundo?

Bem, a resposta mais convencional é aquela que o povo brasileiro é muito social e blablabla. Sim, uma resposta correta, mas considero ela insuficiente. Analisemos primeiro seu predecessor, a internet. A internet, como todos nós sabemos, é um projeto do governo americano e do Google para controlar o planeta. Também é uma poderosa ferramenta de comunicação, transferindo informação de uma forma mais eficiente do que qualquer jornal, emissora de radio ou TV, permitindo ainda uma interação com o usuario jamais atingida anteriormente. Ora, essa própria interação e comunicação precisa de um meio. Inicialmente cada um tentava criar sua propria pagina da internet em servidores infames como o HPG, tudo usando aquele belo design de Frontpage. Surgiam ainda as formas de comunicação instantâneas como o IRC. Houve uma evolução em todos esses meios. Hoje qualquer um pode fazer um blog em 5 minutos, num local de fácil publicação e com um design pré-fabricado a sua escolha. O IRC foi substituído pelo ICQ e este ainda acabou sendo superado pelo MSN (que é uma merda lammer mas todo mundo usa). Agora qualquer um tem a sua disponibilidade ferramentas para conversar com seus miguxihos e divulgar suas opiniões irrelevantes e mal-construidas. Porem, ainda faltaria algo, alguma coisa que conectasse todas essas possibilidades. Algo que pudesse ser a sua "carteira de identidade" na internet, onde as pessoas pudessem com uma rápida visualização saber que tipo de pessoa você é e o que gosta. A resposta para isso é...tchanana-nam...o Orkut. Sim, o Orkut permite tudo isso que eu descrevi e ainda é uma forma excelente de conhecer outras pessoas que compartilhem seus mesmos interesses.

Oh, o ceu é azul, a vida é bela e o Orkut é, então, a solução para a vida, o universo e tudo mais. Então por que diabos ele continua tão controverso? A resposta é simples, como qualquer outra ferramenta inteligente, ela pode ser usada pelo mal. E se ela está nas maos de brasileiros, pode ter certeza que ela sera usada pelo mal.

[risada maligna]

Com a popularização de sua rede, logo se iniciou a sua conseqüente idiotização, se tornando aquele circo de horrores que espantou qualquer gringo com um QI maior que o de um queijo. Vejamos como idiotas conseguiram vandalizar nossa rede de relacionamentos...

"Avante brasileiros, sejamos patriotas!"

O primeiro passo para a destruição da Matrix é simplesmente expulsar todos os gringos que existem nela e nisso, devo confessar, fomos eficientes. Não, não damos a mínima para o país, achamos o hino nacional uma chatice, votar um saco e usamos a bandeira nacional em nossos próprios chinelos. Mas quando se trata de Copa do Mundo e internet logo nos tornamos patriotas que fariam qualquer americano ficar com inveja. Ora, a descrição da comunidade está em inglês, as regras da comunidade pedem para que se poste em inglês, mas quem somos nós para nos dobrarmos a esse imperialismo americano porco capitalista! Não interessa se eles sao chineses, indianos ou iranianos, nunca iremos soltar um Fuck USA (que é a única coisa que sabemos escrever em inglês) e tomar conta de tudo. Resultado? O Orkut é nosso, enquanto qualquer outro gringo mais esperto migrou para um MySpace da vida, tornando nossa rede um simples beta tester pro Google. Viva o nosso Brasil!

"Mamãe, sou uma celebridade do Big Br...Orkut!"

Agora com a ordem tomada pelos brasileiros, se inicia aquela corrida pelos 15 minutos de fama preconizados por Andy Warhol. O Big Brother parecia ser uma boa pedida, mas entrar num concurso e ser parente de alguém da Globo não é tão fácil assim, então tentemos algo no Iogurte. A receita é fácil, tente simplesmente ter o maior número da amigos possivel. Não interessa se ele é o motorista de ônibus ou o carteiro, adicione. Claro que você deve cair no clichê "Nao adiciono sem scrap" mas isso é uma mera formalidade. Se você tiver dois profiles porque um lotou, melhor ainda. Ser Miss Orkut entao é a sua definição de beleza e sensualidade. Agora, se você tiver uma comunidade em sua homenagem, uau, quero te adicionar agora mesmo.

"Manhêêê, entra na minha comunidade pls!"

Se você é inepto socialmente até mesmo para colecionar amigos pela internet, existe ainda a solução de ter uma comunidade grande. Por alguma razão inexplicável, ser dono de uma comunidade de razoável alcance é um sinal de prestígio, sendo motivo de admiração por todos os outros jovens da tribo. A receita, novamente, nao é muito difícil. Pense em qualquer celebridade, banda ou objeto que você goste e crie uma comunidade para ele(a). Não interessa se existe uma já formada comunidade sobre o mesmo assunto. Alias, USE essa comunidade para divulgar a sua. As pessoas não se incomodarao de entrar nela mesmo sendo repetida, já que estar em 3 comunidades sobre um mesmo assunto quer dizer que voce REALMENTE gosta desse assunto. Se você não gosta de nada, apele para cliches super engracados como "Seu Madruga era pagodeiro", "Será Chuck Norris um Pokémon?" ou "PippinTook para preside...guilhotina". Sucesso imediato. Não se esqueca de sempre adicionar uma "a oficial!" ou "a 1ª" junto com uma contagem do crescimento da comunidade e um agradecimento.

"Ae galera, vamos entrar nessa comunidade em homnagem/protesto/boicote a..."

Com a necessidade de se ter uma comunidade grande, junto com o nosso dever cívico escondido em nossos coracões, veio aquela onda de "movimentos sociais" pela rede. Uma celebridade brasileira morre. Bang. Luto. Guardamos alguns segundos para nos lembrarmos quem era essa pessoa mesmo e corremos para criar uma homenagem. Exemplos não faltam. Bussunda, o menino Joazinho, Nair Belo, todos agora possuem infinitas comunidades em sua homenagem, cada uma ansiosa por mais participantes. Existe também a variante, como o boicote a Daniela Cicarelli (me pergunto, boicotar o que?), mas todas fazem parte de um mesmo sistema. É comovente ver como as pessoas realmente possuem algum sentimento em seus coracões, mas experimente dizer que voce "nem liga tano para aquele Joazinho" que logo as pessoas correrão para seus scraps desejando-lhe uma morte tão violenta quanto a do garoto e em seguida lhe denunciando.

"O Orkut é uma aventura, junte-se a essa turminha do barulho e entre nessa você também!"

Existem aqueles que levam o Orkut a sério. E existem aqueles que acreditam que simplesmente denunciar uma comunidade não faz efeito e que a justiça deve ser feita com as próprias mãos. Esses patrulheiros virtuais, heróis do espaco sideral areditam que o Orkut é realmente uma segunda realidade e farão de tudo para protegê-la! Para isso, criam comunidades como a infame "Anjos do Orkut". Afinal, o totalitarismo é um bem a ser usado em prol da sociedade e liberdade de expressão é um bem supérfluo. Nessa turminha ainda existem A Super Liga de Moderadores (e esse nome nao é uma piadinha ruim minha) e a sua variante a Super Liga de Mediadores. Vai Planeta!

Eu poderia aqui adicionar a categoria "Idiotas no Orkute" mas isso seria um tanto quanto redundante e conhecendo os tipos acima pode-se facilmente rastrear um idiota e se possível, até mesmo evitá-lo. E lendo esse texto pode até parecer que eu sou um velho que não gosta de nada (e eu sou!) mas no final das contas, até gosto do Orkute.

- Adendo homossexual do PippinTook (se o Uzuki tem eu também quero :~) : esqueceu da função mais importante do orkut: ver albums de gatenhas pirataria de música, gotta love it.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Star Wars é ficçao científica? (Ou: os limites entre FC x Fantasia)

Enfim, após quase um mês sem novas postagens (novamente), finalmente colocamos algum ritmo no blog, e esperamos cumprir nossa meta de atingir 12 posts em 1 ano! E afim de saciar as mentes nerds de nossos sagazes leitores, novamente um post bem... nerd. Para dar uma prévia ele fala sobre Star Wars. Pronto, já seria nerd o suficiente. Mas, não sendo suficiente, ainda fala sobre Ficção Científica. E como brinde, Fantasia. Weee.

Er...enfim, como todos são espertos, imagino que tenham lido o título do post. Se voce não leu, tudo bem, eu repito ela aqui: Star Wars é ficção científica? "Mas é claro que é Ficção Científica, seu idiota! Tem navezinhas, alienígenas e zas e woosh!", voce irá me responder (e com razão). De fato, parece não haver dúvidas que SW eh FC, afinal, sua ambientação é futurista e blablabla. Mas será mesmo? E se SW nao eh FC, o que é entao? (E se você não entendeu todas as minha abreviações até agora, por favor, pare de ler esse texto).




















Ora, é tão simples, isso é Ficção Científica... larilalalaalalalalalalalalalalalalalalall ...enquanto isso é fantasia.



Bem, para entendermos qual gênero pertenceria SW, teriamos que definir o gênero, e aí chegamos àquelas questões que levam páginas e páginas de dissertações de pseudo-intelectuais do orkut: "O que é Ficção Científica?" E bem, a resposta é: não há uma resposta, ou: há mais de uma resposta. Afinal, o que faria algo ser considerado FC? Ambientação futurística? Então Guerra dos Mundos de H.G Wells não seria, já que se passa em plena Era Vitoriana. Deve ter alienígenas? Robôs? Viagens no Tempo? Ora, todos esses temas sao recorrentes em FC, embora nenhum deles defina o gênero. E o mais importante, devemos olhar o próprio nome do gênero: Ficção Científica. O que diabos isso quer dizer entao? Vou tentar aqui, dar a minha definição do que seria FC: "Qualquer história que tente supor algum fato ocorrido com bases científicas, seja na area de física, química, sociologia, história, etc..." O que eu quero dizer com isso? Tente imaginar aquela série "What if..." da Marvel, onde se faziam suposições como "E se os ossos do Wolverine fossem feitos de biscoito?" e era construída uma história a partir do plot. Então teriamos plots como:

- E se após a guerra, fossemos dominados por um governo totalitário que nos observasse 24 horas por dia e liberdade fosse algo proibido? (1984)

- E se nossa sociedade fosse capaz de finalmente fabricar robôs possuidores de inteligência artificial? (Eu, Robo)

- E se de repente a Terra fosse invadida por uma civilização alienígena vinda de Marte? (Guerra dos Mundos)

- E se Franklin Roosevelt perdesse as eleições para Charles Lindbergh nos Estados Unidos? (Complô Contra America) - note que dentro da minha definição, Historia Alternativa tambem é um genero de FC.

E por aí vai... se observarmos o gênero dessa forma, Star Wars não seria FC, afinal , não envolve nenhuma suposição aparente. Mais ainda: SW possui uma história fortemente mitológica. Vejamos o episódio 4 por exemplo: já nos letreiros iniciais, somos informados que a jornada se passa 'Há muito tempo atrás...'. Além disso, ao longo de todo o filme, somos permeados por arquétipos mitólogicos que vão desde 'herói tentando salvar a princesa' até 'herói vencendo o labirinto (Estrela da Morte) e derrotando o vilão (Darth Vader)'. Além disso, temos elementos como os Cavaleiros Jedi, e, é claro, a Força. Porém, podemos ir mais além. Se retirarmos todo o caráter científico da história, mesmo assim ela ainda funcionaria. Poderíamos substituir as naves por navios, sabres de luz por espadas e por ai vai. Já numa história de FC, isso não seria possível. Ou seja, por mais que SW tenha uma ambientação futurista, ele funciona muito mais como uma história de Fantasia. Aliás, outro exemplo interessante (e controverso) de uma obra que apresenta uma aparente ambientaçáo de FC mas nao é FC, é Matadouro 5 do recém-falecido Kurt Vonnegut. No livro, que trata do bombardeio da cidade de Dresden na 2a Guerra Mundial, o personagem Billy Pilgrim é capaz de 'viajar no tempo' e também mantém contato com seres alienígenas, os Tralfamadorianos. Mesmo com tais temas, eu não classificaria Matadouro 5 como FC (embora muitos o façam).

Então, fim da discussão, Star Wars é Fantasia e ponto final. Na verdade, não eh tão simples assim. Se desclassificarmos SW, teriamos que retirar clássicos como Flash Gordon, ou até mesmo Duna (que também lida com aspectos mitológicos e outros arquetipos). Além disso, 99,999% das pessoas normais consideram a saga de George Lucas como FC, entao como uma meia dúzia de nerds sem o que fazer podem lutar contra os poderes do mundo fora da internet? E não podemos desconsiderar todo o universo expandido que visa criar explicacoes para funcionamento de naves, sabres de luz, etc... A solução talvez esteja em classificar os filmes em um gênero a parte. E de fato, isso já foi feito. Geralmente o épico dos Skywalker é classificado como ficção científica "Space Opera", enquanto aqueles que seguem um maior rigor científico sao classificados como "hard".

Assim, chegamos ao fim desse mini-artigo, tentando desvendar os limites entre Ficçáo Cientifica e Fantasia, algo que muitas vezes não se torna tão claro, como podemos ver. E essas diferenças nunca serão mais importantes do que a diversão e a qualidade. E por favor, não seja aquele chato que diz: "Ai, pra que utilizar rótulos. [insira qualquer coisa hypada] é unico e sempre vai ficar além dos rótulos!!!!!1one".

Nota 1: para se aprofundar mais no aspecto de lenda ou mito de Guerra nas Estrelas, recomendo bastante a leitura do livro 'O Heroi de Mil Faces' de Joseph Campbell

Nota 2: outro detalhe interessante que não citei no artigo foi as diferenças entre a nova trilogia e a antiga. Enquanto a antiga (e superior) aborda o universo como realmente fantasia, a nova já se aproxima mais da FC tradicional, com tramas políticas e etc...

Adendo do Uzuki: Esqueceu de adicionar que a trilogia nova é uma merda, não é só deixar nas entrelinhas não, é UMA MERDA!!!!!@222233333 :D

quarta-feira, 21 de março de 2007

Pain of Salvation - Live at Paradiso




Após quase um mês sem atualizações, finalmente mais um texto para a apreciação de todos vocês!

Bem, como todos sabem, devido a minha privilegiada estadia na Polacoland, terra da maconha e dos homossexuais, pude conferir ao vivo (e tudo que é ao vivo sempre será!) o show da banda de metal progressivo sueca e também homossexual, Pain Of Salvation. Amado pela metade do canal (eu, Pippin, Uzuki, Yokis e FEannor) e odiado por mais um bocadinho (Reddy, Spider, e mais alguns doods), o Pain Of Salvation está em turnê para a divulgação de seu mais recente e controverso album, o Scarsick. Como sou um fanbo... entusiasta da banda, nao poderia deixar de marcar presenca em sua passagem em Amsterdã. E em retribuição pelo fatídico cancelamento em Curitiba em 2005, dessa vez eles estariam gravando o show, para um DVD ao vivo. Ou seja, finalmente esses dois anos de frustração e resmungos no canal serão recompensados.

Era sexta-feira, dia 2 de março. O dia já comecava brilhante e dourado e até mesmo acordar para pedalar 14 quilometros não foi uma dificuldade diante do entusiasmo de ir ao show. Meu dia ainda foi melhorado pelo fato de que na escola eu não teria as últimas 4 aulas e que todas as aulas durariam apenas 40 minutos. Passei rapidamente minha manhã entra aulas em holandês e excitantes partidas de Copas nas horas vagas e retornei a fortaleza dos corvos. Me arrumei bonitinho com camiseta da banda, ingresso compradinho antecipadamente e a passagem de trem e me dirigi para a metrópole de Amsterdã.

A viagem durou apenas 2 horas e tive que trocar de trem apenas uma vez. Cheguei na cidade pelas 3 da tarde. Verifiquei meu ingresso novamente e me certifiquei que o show realmente só comecava às 19 horas e as portas se abriam às 18. Caminhei pelos centros da cidade observando algumas construções antigas e tudo mais. Munido de meu mapa de turistas e meu holandês básico, me dirigi corajosamente ao Paradiso, uma antiga igreja que agora abriga shows de rock e metal de bandas que ainda não tem cacife de tocar no Arena ou no Heiniken Hall. Cheguei ao local em torno das 17 horas, e uma pequena turba já se amontoava diante dos portais que me levariam a uma noite muito feliz. Encontrei um pessoal do forum do Remedy Lane, e ficamos conversando até que finalmente os portais mágicos se abriram. Rapidamente tratei de colocar minha jaqueta num cabide por 1 euro e ir comprar uma daquelas blusas com o logotipo do Be em vermelho que o PippinTook tanto queria. Situando-se mais a frente do salão ao centro, aguardamos até que a banda de abertura, Project Aurora, aparecesse. Devo ainda lembrar que havia uma pequena esperança entre o pessoal de que o antigo baixista, Kristoffer Gildenlow aparecesse para tocar as músicas do album antigo, fato que já adianto, não ocorreu. Nesse momento o review realmente irá comecar, porque até agora apenas descrevi meu dia ao melhor estilo "Querido Diário..."

Com a pontualidade holandesa confirmada, os membros do Aurora Project entraram no palco e iniciaram sua performance. A banda não era ruim, e posteriormente irei dar todo meu apoio baixando seu material ilegalmente. Porem, é fato que todos estavam SEDENTOS por Pain Of Salvation, então ninguém realmente ligou para a banda, com exceção de uma groupie de 30 anos ao meu lado que acompanhava as músicas alegremente de olhinhos fechados de uma forma hilária. Posteriormente descobri que uns caras ignoraram a banda e se esquivaram para os camarins, conseguindo conhecer a banda e tirar fotinhas miguxas, o que me deixou profundamente irritado. Ao fim do show mais minutos de agonia. Com alguns minutos para o show comecar, uma mulher sobe e nos lembra ao microfone que o show seria gravado em DVD e por isso teríamos que fazer bastante barulho. Isso apenas contribuiu para o entusiasmo meu e do público que já estava tendo chiliques. Por fim, após um clímax tenso, um a um os membros do PoS adentrou a plataforma que dividia suecos esquisitos e fanboys mais esquisitos ainda. Daniel Gildenlow, o dono da banda e futuro imperador da Suécia, saudou a todos, relembrou sua última vez na Holanda, quando estava com os dedos quebrados e de quebra (hahaha) ainda apresentou o baixista de turne, Simon Anderson (ou apenas Mr. Anderson, como frisou o sempre-engraçado Daniel). Após todo o papo-furado, o show realmente começa com Scarsick, a primeira música do album homonimo. Devo confessar que não gosto muito dessa música, mas admito que ela ficou bem bacaninha ao vivo. Os vocais do Daniel estavam muito bons e a música soava exatamente como a versao em estudio, tanto que ao fim dela eu ja estava esperando a péssima Spitfall vir emendada. Felizmente o que veio logo em seguida foi America, a primeira canção que eu ouvi do album. Durante a pequena pausa no meio da musica, o publico se embolou todo na hora de falar, então o Daniel apenas aguardou alguns segundos e soltou o "We will be back, after this short brake". Após essa música, Daniel voltou a conversar com o público e anunciou que iria voltar ao tempo, lembrando um pouco...Entropia, o primeiro album da banda. Começa entao a Nighmist, e em minha opinião, o ponto mais fraco de todo o show. Apos Nightmist ainda veio a !Foreword. Ambas as músicas sao bacaninhas, mas comparadas com o resto do show, ficaram bem aquém. Após as músicas, D.G conversa sobre mudanças e blablablabla e emenda com a Handfull of Nothing do album One Hour By the Concrete Lake, uma música que ficou muito legal ao vivo, e ganhou ainda mais o meu respeito depois dessa performance. Logo após, veio a New Year's Eve, uma música que eu também não gosto tanto assim, apesar de ter os seus momentos.

Após esse início, somos informados que as fitas das cameras (ou discos, sei la) serão trocadas, entao teremos que ser "entretidos" por alguns minutos. Eh hora para um short brake, onde os já suados suecos tentam dar uma descansadinha (ui) enquanto fazem piadinhas. Depois disso, o show realmente comeca a pegar fogo, com Ashes (hahaha...ok, ok) do The Perfect Element Part I. Logo emendando veio a Undertow, numa versão um pouco mais diferente e numa performance simplesmente FENOMENAL por parte da banda, resultando num dos pontos altos do show. Apos esse clima mais, digamos, romântico, vieram o medley This Heart of Mine/Song for the Innocent/Her Voices que nos já conhecemos do album acústico, 12:5. Finalmente alcancando o album Remedy Lane, temos a Chainsling, com os vocais excelentes do guitarrista Johan Hallgreen, outro grande destaque do show. A essa altura, a platéia não parava mais de pedir Disco Queen, o novo hit purpurina e para a surpresa de todo, tivemos Diffidentia, a única música do Be a ser tocada. Logo após, veio ainda pesada Flame to the Moth, com os rasgados surpreendentes do Danny G. Finalmente, a esperada balada dos tempos da brilhantina entra em cena e sob luzes coloridas somos brindados com a rainha do disco.

Nesse momento, a banda toda sai do palco, como se o show tivesse acabado e as luzes se apagam. Obviamente que o público nao engoliu tal lorota encenada e nao parou de gritar PoS PoS PoS ou entoar os gritinhos histericos da Disco Queen. Apos um momento dramático, toda a banda retorna para o fraco cover Hallellujah e a excelente Cribcaged. Nesse momento, o Daniel ameaca abandonar o palco novamente. A platéia, obviamente contrariada, o impede e é anunciada então uma musiquinha mais calma para o povo poder apreciar a noite de Amsterdã, veio a baladinha.... Used, com sua intro levinha, fechando o show com chave de ouro, com grandes atuações dos ainda nao citados Johan Langell na bateria e o Fredrik Hermansson nos teclados. E para aqueles que ainda tinham dúvidas, o novo baixista segurou bem tudo e conseguiu entrar no clima da banda.

Por fim, há a controvérsia quanto ao set-list que como alguns membros carinhosamente citaram, "é uma merda". De fato, existem muitas musicas que podiam ser trocadas. Mas devemos levar em conta que o novo baixista nao é o Kristoffer e que talvez ele não saiba tocar músicas simples como Beyond the Pale. E para aqueles que reclamam que não têm músicas do Be, um grande MEH pra eles, já que existe um show INTEIRO pro Be.

Ao fim do show, atarvessei o mar de holandeses para conseguir pegar minha jaqueta de volta e correr para pegar o último trem que me levaria a minha aldeia.

Extras? Claro, dois videozinhos espertos que uma holandesa gravou, em qualidade youtubeana duvidável, é claro:

New Year's Eve

Disco Queen

E para aqueles que nunca ouviram falar da banda, o link para o forum oficial

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Arrakis...Duna...

Existe algo mais nerd do que ficção-científica e fantasia? Ou melhor, existe algo mais nerd do que ficção-científica e fantasia épica? Quando mencionamos tais gêneros, os primeiros nomes que vêm a nossa cabeça são Guerra nas Estrelas e O Senhor dos Aneis. Mas muito antes de Tolkien e George Lucas terem concebido suas sagas, outro escritor já havia criado um universo paralelo tão complexo quanto a Terra-Média. E esse escritor atende pelo nome de Frank Herbert. Seu trabalho mais conhecido é a série de livros do universo de Duna.

Esse é o Frank Herbert

Publicado pela primeira vez em 1965, Duna faz parte da chamada New Wave da ficção-científica, onde figuram nomes conhecidos como Ray Bradbury. Diferente da ficção-científica de Assimov ou Clarke, onde bastava uma ambientação futurística, a New Wave abordava aspectos politicos e sociais, passando de um "universo exterior" para um "universo interior". E isso pode ser visto claramente na saga de Herbert, onde religião, politica e sociedade permeiam toda a série.

A história se passa num longuíquo planeta desértico chamado Arrakis, também conhecido como Duna. Sua principal fonte de riqueza é a especiaria melange, uma droga que permite o homem realizar dobras no espaço, tornando possivel a viagem especial além de prolongar a vida de seus usuários. Nesse contexto tambem estão 3 casas lutando pelo poder: a Casa Imperial de Corrino, a casa de Atreides e a casa de Harkonnen. O imperador de Corrino, Shaddam IV começa a temer a casa de Atreides devido a popularidade de seu líder, o duque Leto Atreides. O imperador decide destruir a casa de Atreides, mas não pode fazer isso diretamente. Ele então aproveita-se da rivalidade centenaria entre os Atreides e os Harkonnen para dar cabo aos seus planos.

Os Atreides são obrigados a assumir a administração da especiaria em Arrakis, e fora de seu planeta natal Caladan, ficam vulneráveis a um golpe de estado. No meio de tudo isso, esta Paul, o filho do Duque Leto e Jessica, parte do clã Benet Gesserit, uma ordem que através de manipulação genética, tenta conceber um homem perfeito. E não podemos esquecer dos Fremem, os nativos originais de Arrakis, que aguardam um novo Messias que possa fazer a água brotar novamente no planeta.

Pode parecer confuso, mas é toda essa complexa ambientação que faz com que Duna seja uma das maiores obras de ficção-cientifica de todos os tempos. E não é para pouco, Duna ainda recebeu os prêmios Hugo e Nebula no ano de sua publicação. O romance ainda rendeu mais 5 seqüências: O Messias de Duna, Filhos de Duna, O Imperador-Deus de Duna, Os Hereges de Duna e As Herdeiras de Duna, além de outros prequels escritos pelo seu filho, Brian Herbert e Kevin J. Anderson, sendo que nunca receberam uma tradução em português.

Bem, você agora deve estar se perguntando se o universo de Duna se resume apenas a livros. E a resposta eh não. Existe ainda um polêmico filme do David Lynch, duas mini-séries realizadas pelo Sci-Fi Channel além de jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro, biscoitos, bonequinhos, papel higiênico e toda essa porcariada de merchandising...

cartaz do filme do Lynch


O filme de Lynch se tornou polêmico pelas limitações técnicas da época (o filme foi feito em 1984), tornando os efeitos-especiais...toscos. Além disso sua versão original (que dizem conter umas 4 horas) foi simplesmente picotada pelos produtores, resumindo todo o filme a 2 horas, atraindo a ira do proprio Lynch. Dizem que a lendaria versão do diretor ainda será lançada. Ah sim, e tem o Sting como um dos vilões!

As outras duas mini-séries tiveram mais sorte, já que não precisavam ser limitadas pelo tempo e ainda apresentavam efeitos-especiais mais digamos, apresentaveis.

Ainda existem varios jogos baseado na serie, sendo o mais famoso Dune II, um dos pioneiros do genero RTS.

Dune II


E óbvio, não podemos esquecer da referencias que bandas de metal nerd resolveram fazer. Os bardos do Blind Guardian dedicaram uma musica, Traveler in Time do album Tales form the Twilight World. Ainda existe tambem uma musica do Iron Maiden, To Tame a Land. Dizem que o HErbert simplesmente odiou a musica e se recusou a permitir que ela fosse batizada como Dune.

Bem, após essa jornada épica de nerdice, é de se esperar que voce corra até um sebo e compre uma versão empoeirada desse clássico por uns 10 reais. Enjoy!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

10 razões para se ter um Nintendo DS

Okay, sou eu, Omnicrone_RED. Vou estrear minha participação neste "distinto" blog com quase que uma propaganda. Na realidade é um review um pouco biased sobre o portátil que hoje domina o mundo dos games. O console mais vedido em 49 das 52 semanas de 2006 no Japão e o console que hoje está quase chegando na casa de 40 milhões de unidades vendidas no mundo todo após 27 meses de vida, Nintendo DS. Mas o DS é isso tudo mesmo? Bem, vou tentar enumerar 10 razões do porque o DS é algo que apreciadores de games de qualquer idade devem ter no bolso. E como o DS é um console portátil, as 10 razões todas são ligadas a games, não questionáveis características que pouco têm relação com o fato de se jogar, poder de fogo ou qualquer outra razão sem relação com o que um console portátil serve. Pra quem não tem um DS, isso é uma propaganda, pra quem tem, você pode achar algo aqui que você simplesmente ainda não viu e se interessar. Bem, chega de enrolação agora e vamos direto aos pontos.


1. AQUELE encanador


É vocês conhecem o bigodudo e ele está melhor que nunca no DS. Um remake cheio de novidades de sua maior aventura foi o primeiro jogo de Mario no DS e um dos primeiros jogos do console. Super Mario 64 DS tem 150 estrelas (30 a mais que o original), Luigi, Wario e Yoshi como companheiros controláveis, gráficos aprimorados, gameplay tweaks que melhoram o jogo em muitos pontos e uma carrada de minigames para uma distração rápida. Tudo isso no seu bolso. Se Super Mario 64 já era um dos melhores jogos de todos os tempos, a encarnação de DS só vêm a reafirmar isto e melhorar o que já era excelente.

No mesmo ano de 2005, Super Mario Kart DS chegou às prateleiras. Este é o melhor Super Mario Kart até hoje e por uma simples e única razão: WiFi. Jogar o multiplayer online é fácil e extremamente divertido e o melhor de tudo é que até 8 jogadores podem mandar ver nos diferentes modos disponíveis. Super Mario Kart DS também conserta erros cometidos em Double Dash, e é bem mais fiel a SMK 64 tendo uma aparência similar (um pouco mais bonita) e gameplay bastante parecido também. Novos itens e os 16 novos circuitos são um bônus adicional ao que já seria muito bom se fosse uma simples compilação ou remake. Falando em compilação, SMK DS contém 16 circuitos clássicos dos 4 SMKs anteriores para os mais nostálgicos.

No meio de 2006 finalmente um jogo sério e completamente novo de Mario chega ao DS. Por incrível que pareça, é o primeiro jogo original de plataforma 2D do encanador desde Super Mario World (a não ser que você conte Yoshi's Island como um jogo do Mario, o que não é). New Super Mario Bros. é mais do mesmo, no entanto, não jogávamos uma encarnação original deste "mesmo" desde 1991, portanto, o jogo não está cansado como se imagina a princípio. New Super Mario Bros. conta com 8 mundos de plataforma 2D em doses puras e límpidas. Nada de elementos de RPG porcamente implementados, nada de tentativa forçada de Metroidvania, nada de bizarrices, plataforma pura como você jogou no NES e SNES. NSMB é um jogasso (sic), um dos carros chefes do DS sem sombra de dúvidas e um dos melhores jogos de 2006 na minha modesta opinião, ano que teve altos jogos de peso em diversos consoles.

Além desta tríade, digna de nota, o DS têm Mario Hoops 3on3. Um jogo de basquete com Mario e sua turma no estilo consagrado do seus outros jogos de esportes. Ele usa muito bem a tela de toque do DS como forma de controle e é bastante divertido em geral. Infelizmente a falta de um modo WiFi e um modo Download Play extremamente limitado machucam bastante o jogo.


2. Castlevania



Bem, Castlevania também dispensa apresentações. Uma das poucas séries de plataforma 2D a sobreviver e melhorar com o passar do tempo, Castlevania continuou sua trajetória de lançamentos em portáteis da Nintendo não muito tempo depois do lançamento do DS, com Castlevania Dawn of Sorrow. Continuação direta de Aria of Sorrow do GBA, Castlevania Dawn of Sorrow é um jogo excelente em todos quesitos, seguindo a velha formula de Metroidvania implementada desde Symphony of the Night. Em Dawn of Sorrow você continua a controlar Soma, a reencarnação de Dracula, contra um grupo de cultistas obcecados em reviver o vampiro. No entanto, Dawn of Sorrow realmente brilha após seu final, quando o Julius Mode se torna disponível. Nele, você controla Julius, Yoko e Alucard (é, é, ele) num modo cooperativo similar ao clássico Castlevania 3 de NES. Este modo é o melhor de DoS, com uma dificuldade elevada e ótimas surpresas.

Em outubro de 2006 a Konami finalmente lançou o próximo Castlevania 2D, Portrait of Ruin. Mudando de cenário de um futuro pacífico em 2036 para o ápice da segunda guerra mundial em 1945, Portrait of Ruin conta a jornada de Johnatan Morris e Charlote Aulin no castelo de Dracula. PoR usa as boas idéias do Julius Mode e as expande em um modo cooperativo entre os dois protagonistas, finalmente dando um pouco de novo à uma fórmula que durava quase 10 anos intocada. Portrait of Ruin é ainda melhor que Dawn of Sorrow por isso. PoR usa muito bem os cenários ao tentar sair do velho castelo e usar estágios novos como as ruas de Londres ou uma mansão no meio de uma floresta. Estes novos cenários ajudam a manter a experiência nova quando combinados com novos aspectos do gameplay de modo que finalmente você se sente jogando um novo Castlevania. Detalhe também para a trilha sonora, a melhor na série desde Symphony.


3. Advance Wars!



Advance (Famicon) Wars sempre foi uma série excelete, apesar de ignorada, de jogos táticos. Dual Strike é o ápice da série em todos os sentidos possíveis, com o gameplay extremamente bem estruturado e equilibrado, boa história, EXCELENTE inteligência artificial no single player e um modo multiplayer lotado de opções pra completar o serviço. O gameplay simples, entretanto, profundo de Advance Wars DS é excelente para multiplayer em um portátil. Além do ótimo modo multiplayer, o jogo é muito bom na longa campanha single player, contando uma história interessante e personagens muito ricos. Advance wars DS é o melhor jogo desta franquia totalmente underrated e injustamente ignorada por muitos e um dos melhores motivos pra ser ter um Nintendo DS.


4. "Jogos" Casuais


Bem, "jogos" estão entre aspas porque estes softwares não são exatamente jogos no sentido tradicional com algumas exceções. Na realidade poucos jogadores hardcore acharão estes softwares jogos, enquanto gente mais casual acham estes jogos os melhores do DS. A realidade é que estes jogos, passado o preconceito, divertem até mesmo o mais hardcore dos gamers, até aquele que joga 24h por dia World of Warcraft e jogos de tiro no XBox Live. A lista aqui é enorme, já que aqui está o filé do DS e o segredo de seu sucesso, mas vou colocar os principais jogos.

Phoenix Wright - Phoenix Wright: Ace Attorney tem uma premissa bizarra, você é um advogado novato e deve provar seu valor defendendo seus clientes no tribunal, e uma implementação genial, num text-adventure que mistura investigação dos crimes ocorridos com muito puzzle solving no tribunal. Os games são mais uma história interativa onde você deve resolver os problemas apresentados do que jogos em si, mas são um prato cheio pra quem gosta de puzzles e investigação.

Trauma Center - Aqui você é um cirurgião novato e deve salvar vidas. Este jogo usa as capacidades do DS para entregar uma das melhores experiências do console na minha opinião. Corra contra o tempo para salvar a vida de seus paciêntes e se frustre ao perdê-los caso cometa um erro. O tempo é brutal com o jogador neste jogo e na realidade o maior adversário, já que a sua assistente sabe tudo sobre qualquer tipo de cirurgia e sempre está pronta para lhe dizer o que fazer, pelo menos até a metade do jogo...

Brain Training - Uma série grande de versões eletrônicas de "jogos" para treino de memória, raciocínio e outras atividades mentais que são muito populares no Japão. A série Brain Training é cheia destes pequenos desafios para manter sua mente sempre afiada e são um ótimo passatempo, minha mãe joga mais isso do que eu no entanto.

Nintendogs - Um uber tamagotchi. Cuide do seu cachorrinho com carinho e mantenha o DS bem perto da cara quando jogando em público pra ninguém ver o que você está fazendo.

Wario Ware - O melhor game pra se jogar no trono. A série de ridículos microgames é sempre uma boa distração onde quer que você vá.

Cooking Mama - Encarne o cozinheiro neste jogo e mande ver nas receitas. Você pode fazer tudo tradicional ou arriscar misturas bizarras de ingredientes, o jogo é surpreendentemente divertido até pra pessoas como eu que destestam a cozinha.

Animal Crossing: Wild World - O jogo interminável onde você faz de tudo num enorme sandbox. Ele é uma espécie de Harvest Moon com esteróides. O bônus ainda é o modo WiFi onde você pode interagir com a vila de outros jogadores ao redor do mundo. Um jogo que consome enormes quantidades de tempo, muito bom em viagens.

Elite Beat Agents - Você é membro de um serviço secreto de... dançarinos. É, hora de provar que você tem ritimo enquanto realiza missões de "extrema importância" ao redor do mundo.

Clubhouse Games - Uma compilação de jogos clássicos de cartas e tabuleiro no seu bolso pra se jogar sozinho ou WiFi. Simples assim.


5. Mais plataformers? Gimme!


O DS tem muitos plataformers 2D. New Super Mario Bros. e os Castlevanias já citados são os carros chefes da biblioteca, mas ainda têm muito mais digno de nota. Yoshi's Island DS abre esta lista porque é a sequência direta de um jogo lendário e que consegue viver sob sua sombra, apesar de não tão genial quanto o original principalmente por causa de sua trilha sonora medíocre, Yoshi's Island DS consegue utilizar a fórmula do antigo somado a novos elementos para ser um divertidíssimo e longo plataformer. Kirby está no DS em dois jogos, Canvas Course e Squeak Squad. Canvas Curse é uma mistura de plataforma, puzzle e ação muito interessante enquanto Squeak Squad é Kirby puro e clássico. CC é melhor pois além de mais original, usa mais o que o hardware do DS oferece que Squeak Squad, que apesar de ser extremamente fácil e mais do mesmo tem seus bons momentos.
O DS também tem Mega Man ZX, nova subfranquia no blue bomber. O jogo é melhor do que Megaman Zero, de onde foi inspirado, mas sofre ainda da crise de identidade que a franquia Mega Man vem sofrendo nos últimos anos, tendando implementar diversos elementos ao mesmo tempo e fazendo tudo pela metade. O jogo ainda assim guarda bons momentos. Falando em franquias com problemas, chegamos a Sonic Rush, o melhor jogo do porco espinho em anos exatamente por ser bastante tradicional e continuar o que os Sonic Advances haviam começado.
A biblioteca não acaba aqui, mas acredito que citei os principais jogos. Moving on...


6. Puzzles.



Outra biblioteca enorme do DS. A quantidade de puzzle games é enorme como era de se esperar de um portátil, e muitos deles são de excelente qualidade. A nata é composta por Meteos, Mario vs Donkey Kong 2 e Tetris DS. Como você já deve imaginar, Tetris DS é o clássico puzzle criado por Alexei Pajinov com alguns novos tweaks aqui e ali e um sólido modo WiFi pra fechar com chave de ouro. Meteos é um puzzle mais original, que utiliza bem o DS. Nele você deve juntar os meteos (pequenos meteoritos que tentam destruir seu planeta) do mesmo tipo para iniciar uma ingnição que os lançará de volta ao espaço, realizando combinações e pensando bem em quais peças mover, você pode realizar reações em cadeia para limpar a tela e lançar blocos enormes de meteos de uma só vez. A situação se agrava com a diferença que cada planeta tem sua própria gravidade e que cada tipo de meteos responde de maneira diferente a essas diferentes forças. Mario vs Donkey Kong 2: March of the Minis é a continuação do jogo de GBA, nele você deve guiar os mini bonecos do Mario pelos estágios cheios de obstáculos e armadilhas para salvar o dia. Além destes a lista continua com Electroplankton, Zoo Keeper, Pokémon Trozei!, Puyo Pop Fever, Bust a Move DS, Yoshi Touch & Go, etc. etc. etc. Puzzle é o que não falta.


7. Metroid.



Metroid. Prime. Hunters. Nuff said.


Ah, também tem o Pinball... que é no mínimo bizarro.


8. Cult hits.



Todo bom sistema tem que ter seus underdogs, que surgem do nada, apresentam-se como jogos excelentes e são esquecidos por todos, menos aqueles que jogaram. O DS tem também os seus cult hits após seus dois primeiros anos de vida e não há dúvidas que há mais deles chegando. Um deles é Contact, um RPG a la Earthound e uma quebra da quarta barreira bastante abrupta. O jogo é extremamente experimental em muitos sentidos, mesmo parecendo ser um típico RPG para quem o observa de longe. Outro Cult Hit, e este Ce H maíusculos é Hotel Dusk: Room 215. Também um text adventure interativo, combinando uma excelente história e uma interatividade que você não encontra num bom livro. O jogo tem seu estilo próprio, noir, lembrando a série de quadrinhos Sin City de Frank Miller. Um excelente jogo que chegou despercebido mês passado e atraiu já uma base de fãs interessante.


9. RPGs.


O DS também tem seus RPGs. Ainda não é uma biblioteca forte como a do GBA, mas ela melhora a cada novo lançamento. Dignos de nota temos Mario e Luigi 2, continuação do genial rpg de GBA do bigodudo e tão engraçada e divertida quanto o original. Final Fantasy III é o primeiro remake de verdade que a Square Enix faz da série e ainda por cima, do único jogo da série que nunca havia oficialmente sido lançado em inglês. Com gráficos atualizados e novas classes, FFIII é um ótimo RPG mesmo com as limitações do original que não foram corrigidas. O supracitado Contact, Dragon Quest Heroes Rocket Slime, Pokémon Mysterious Dungeon e os recém lançados Izuna e Lunar Knights completam a lista deste gênero.


10. O que está por vir.


No horizonte temos títulos de qualidade se aproximando. Pokémon Diamond & Pearl, Zelda Phantom Hourglass, Dragon Quest IX, ASH, Final Fantasy Tactics A2 entre outros lançamentos prometidos para 2007 induzem salivação. Enquanto isso, resta esperar jogando os excelentes jogos citados acima.


Provavelmente esqueci de algo, mas isso está longo demais, portanto. Chega!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quadrinhos europeus

Pois bem amiguinhos, iniciarei o blog com o perfil de um quadrinista não muito conhecido: Enki Bilal (sim, IGNOREM o nome). Desconsiderando o nome do infeliz, Bilal é mais um daqueles artistas europeus porra-loucas que escrevem enquanto bebem LSD. E na suas HQs dá pra perceber muito bem isso. Imaginem uma ficção científica que se passa em uma Paris futurista habitada por mutantes, alienígenas e deuses egípcios. E desconsiderem Stargate. Seu traço é simplesmente fantástico e sua textura e cores belíssimas. Vejam só um exemplo (cliquem para ampliar) :
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Mas seu trabalho não é apenas com delírios provocados por alucinógenos. Por detrás dessa visão futurista existe uma forte crítica social e política na atualidade. Um de seus trabalhos mais famosos por exemplo, a trilogia Nikopol (que tambem rendeu um filme, no qual falarei mais tarde), é composta de A Feira dos Imortais, A Garota Enigma e Frio Equador. Conta sobre a Paris futurista habitada por mutantes, alienígenas e deuses egípcios. Nela o futuro é separada entre a escória da humanidade (os não-humanos) e aquela elite que nunca faz porra nenhuma. E junto com isso surge uma pirâmide do nada e conhecemos o deus egípcio Horus, que desce para a Terra aprontar algumas. Entre outros personagens temos Alcide Nikopol, que esta numa prisao criogênica por atividades subversivas e Jill Bioscoop, que eh uma sei-lá-o-que que chora em azul.

Seu trabalho mais recente é uma tetralogia, chamada de tetralogia das bestas, e conta sobre Nike Hatzefeld, nascido na Iugoslávia (atual Sérvia) e que tem a habilidade de se lembrar de TUDO. Sim, ele se lembra até mesmo de seus primeiros dias de nascimento, onde compartilhava um hospital junto com outros dois bebês, Leyla e Amir. No futuro Nike decide reencontrá-los e protegê-los. Obviamente que num futuro porra-louca como o de Bilal, isso não será fácil. A tetralogia é composta por O Sono do Monstro, 32 de Dezembro, Um Encontro em Paris (que saiu recentemente) e mais um quarto volume que ainda não possui nome. O grande tchan da historia é que apesar da aparente obsessão por Paris, o autor eh nascido na finada Iugoslávia, tornando a trama anda mais fascinante e pessoal.

Seus trabalhos não se resumem a apenas ficção científica, mas também parcerias com outros artistas como Pierre Christin, resultando em obras mais, digamos, "normais" como A Caçada.



Ah sim, o filme. Foi feito um filme muito bacana baseado na trilogia Nikopol, reunindo na película os 3 volumes ao mesmo tempo. A direção de arte do filme é fantástica, contando com cenários completamente feitos por computador (técnica que seria utilizada e popularizada posteriormente com Capitão Sky). O filme foi dirigido pelo próprio Bilal e sua história é um tanto quanto confusa para que não leu nada sobre. Obviamente o filme foi um fracasso de bilheteria :D

Interessado? Pois bem, achar alguma coisa dele no Brasil é tao facil quanto ganhar na loteria. Sei que os 2 primeiros volumes da trilogia Nikopol foram lançados pela Martins Fontes e existem outros lançamentos pela editora lusitana Meriberica, mas tudo muito complicado de se encontrar. O mesmo se aplica sobre o filme, que ao menos passou uma vez no canal Cinemax. Pois é, é aproveitar essa onda de quadrinhos europeus que começou a aparecer e torcer (embora eu pense que os motivos para esconder as obras do artista sejam apenas resultantes do seu nome, que poderia ser considerado impróprio).

E a fênix azul ressurge!

Bem-vindos, visitantes do mais novo sit...blog da RPG-A!

Porque, como todo bom site falido, sempre existe a solução medíocre de criar um bom blog. Então, preparem-se para posts sobre qualquer nerdice, que vai desde joguinhos de Atari, RPGs, livros, quadrinhos, cinema e até a nossa vida sexual inexistente.

Se quiser colaborar, envie seu texto para nós, que depois de picotarmos, censurarmos e modificarmos ao nosso gosto, talvez pensemos em publicar!

Acesse também irc://irc.irchighway.net/rpga, para conversar com nossos usuários, sempre felizes em ownarem os noobs de merda, e baixar rons e outras coisinhas batutas :-)